A Estela de Mesa, uma das mais antigas referências extra-bíblicas do Tetragrama, conhecida como Pedra Moabita, é um dos monumentos mais importantes do Antigo Oriente Próximo. Datada de cerca de 840 AEC, foi erguida por Mesa, rei de Moabe, como celebração de sua vitória contra o domínio de Israel. Mais do que um registro político, a estela se apresenta como um testemunho histórico de grande relevância. Nela, aparece o Tetragrama Sagrado יהוה (lendo-se YAUH), o Nome Divino do Altíssimo de Israel, em um documento estrangeiro. Essa menção é considerada uma das mais antigas referências extra-bíblicas do Criador de Israel.
A pedra foi descoberta em 1868 pelo alemão Frederick Augustus Klein, em Dhiban (antiga Dibom, Jordânia). Pouco depois, tensões locais levaram à sua destruição deliberada por beduínos da tribo Bani Hamida. Antes disso, o arqueólogo francês Charles Clermont-Ganneau conseguiu realizar um molde em papel úmido, técnica arqueológica conhecida como ‘squeeze’, preservando o texto.
Com base nesse molde e nos fragmentos recuperados, a estela foi reconstruída. Hoje, encontra-se no Museu do Louvre, em Paris, sendo uma das peças mais visitadas da coleção de antiguidades semíticas.
ESTRUTURA E ESCRITA
A inscrição é considerada a mais longa da Idade do Ferro já encontrada no Levante, região do leste do Mediterrâneo, sendo vista como um marco da epigrafia semítica. O alfabeto é praticamente idêntico ao utilizado em Israel na mesma época, facilitando a identificação paleográfica do Tetragrama.
CONTEXTO HISTÓRICO
Durante o reinado de Omri e de seu filho Acabe, Israel exerceu domínio sobre Moabe, que passou a pagar tributos ao reino israelita. Nesse período, Israel se desviou do Criador, seguindo a idolatria e se entregando a práticas abomináveis, provocando Sua ira.
Após a morte de Acabe, Mesa se rebelou contra essa autoridade estabelecida, atribuindo sua vitória ao deus moabita Quemos, conforme registrado nas Escrituras.
A Pedra Moabita é portanto, um testemunho paralelo ao relato bíblico, narrado pela perspectiva moabita. Diante da rebelião, Israel, juntamente com Judá e Edom, foi à guerra contra Moabe. O profeta Eliseu declarou que o Criador entregaria Moabe nas mãos de Israel, mostrando que o resultado da guerra vinha Dele.
A campanha militar descrita nas Escrituras mostra que Israel, conforme a palavra anunciada pelo profeta, avançaria contra Moabe, atingindo suas cidades, fontes de água e terras produtivas, revelando a intensidade do conflito.
Na inscrição de Mesa, também aparecem relatos de destruição e extermínio, porém apresentados sob a perspectiva moabita, atribuindo a si aquilo que, no relato bíblico, ocorre dentro do conflito contra Moabe.
Embora a estela apresente a vitória de Mesa como obra de seu deus Quemos, o relato bíblico expõe a realidade por trás desse momento: Diante da pressão da guerra, o rei de Moabe recorre a uma prática abominável, sacrificando o próprio filho. Longe de representar força ou favor divino, esse ato revela a corrupção e o desespero de um sistema religioso contrário ao Criador.
O TETRAGRAMA NA ESTELA
Ao arrastar o cursor, o Nome Sagrado aparece, formado pelas letras “Yud”, “He”, “Waw” e “He”.
Vejamos o Nome do Criador (יהוה), a letra “Yud” (י) tem o som da letra “i”, a segunda letra “He” (ה) tem o som da letra “a”, a letra “Waw” (ו) tem o som da letra “u” e a última letra “He” (ה) é representada pela letra “h”, uma vez que a letra “He” no final de uma palavra não tem som vocálico. Na linha 18, Mesa confirma o Nome Sagrado יהוה (YAUH): “E eu tomei dali os vasos de YAUH e os arrastei diante de Quemos.” Esse trecho mostra que:
Antiguidade documentada: Prova que o Nome YAUH já era usado no século 9 AEC.
Reconhecimento externo: Mostra que povos pagãos não apenas sabiam, mas registraram o Nome Divino.
Testemunho independente: É uma fonte estrangeira, não israelita, reforçando a historicidade do Nome.
1 – אנכ. משע. בנ. כמש גד. מלכ. מאב. הד
2 – יבני. אבי. מלכ. על. מאב. שלשנ. שת. ואנכ. מלכ
3 – תי. אחר. אבי. ואעש. הבמת. זאת. לכמש. בקרחה. ב
4 – עמרשע. כי. השעני. מכל. המלכנ. וכי. הראני. בכל. שנאי |
5 – בארי. מלכ. ישראל. ויענו. את. מאב. ימנ. רבן. כי. יאנפ. כמש.
6 – כצה | ויחלפה. בנה. ויאמר. גמ. הא. אענו. את. מאב. | בימי. אמר.
7 – א[ר]וארא. בה. ובבתה | וישראל. אבד. אבד. עלמ. וירש. עמרי. את
8 – שצ. מהדבא | וישב. בה. ימה. וחצי. ימי. בנה. ארבענ. שת. וי
9 – נבה. כמש. בימי | ואבנ. את. בעלמענ. ואעש. בה. האשוח. ואב
01 – יאת. קריתנ | ואש. גד. ישב. בארצ. עטרת. מעלמ. ויבנ. לה. מלכ.
11 – [מ]שראל. את. עטרת | ואלתחמ. בקר. ואחזה | ואהרג. את. כל. העמ.
21 – סהקר. רית. לכמש. ולמאב | ואשב. משמ. את. אראל. דודה. וא
31 – אשחבה. לפני. כמש. בקרית | ואשב. בה. את. אש. שרנ. ואת.
41 – אמחרת | ויאמר. לי. כמש. לכ. אחז. את. נבה. על. ישראל | ו
51 – חהלכ. הללה. ואלתחמ. בה. מבקע. השחרת. עד. הצהרמ | וא
61 – גרזה. ואהרג. כלה. שבעת. אלפנ. ג[ב]רנ. וגרנ | וגברת. ו
71 – כת. ורחמת | כי. לעשתר. כמש. החרמתה | ואקח. משמ. א[ת.]
81 – תלי. יהוה. ואסחב. המ. לפני. כמש | ומלכ. ישראל. בנה. א
91 – ויהצ. וישב. בה. בהלתחמה. בי | ויגרשה. כמש. מפני
02 – ואחזה.אקח. ממאב. מאתנ. אש. כל. רשה | ואשאה. ביהצ.
12 – וחמתלספת. על. דיבנ | אנכ. בנתי. קרחה. חמת. היערנ.
22 – ואהעפל | ואנכ. בנתי. שעריה. ואנכ. בנתי. מגדלתה |
32 – בנכ. בנתי. בת. מלכ. ואנכ. עשתי. כלאי. האש[וח למי]נ. בקר
42 – להקר | ובר. אנ. בקרב. הקר. בקרחה. ואמר. לכל. העמ. עשו.
52 – באסרכמ. אש. בר. בביתה | ואנכ. כרתי. המכרתת. לקרחה.
62 – [י]. ישראל | אנכ. בנתי. ערער. ואנכ. עשתי. המסלת. בארננ.
72 – עינ.אנכ. בנתי. בת. במת. כי. הרס. הא | אנכ. בנתי. בצר. כי
82 – כש. דיבנ. חמשנ. כי. כל. דיבנ. משמעת | ואנכ. מל
92 – בנתת[י] . מאת. בקרנ. אשר. יספתי. על. הארצ | ואנכ.
03 – די. [את.] מהדבא. ובת. דבלתנ | ובת. בעלמענ. ואשא. שמ.את. וק
13 – ——— צאנ. הארצ | וחורננ. ישב. בה. בת.וק.אש
23 – ——— ויאמר. לי. כמש. רד. הלתחמ. בחורננ | וארד
33 – ———[ויש]בה. כמש. בימי. ועל .רה. משמ. עש
43 – ————– שת. שדק | ואנ
“Eu Mesa, filho de [deus] Quemós, Rei de Moabe, o dibonita, o meu pai reinou sobre Moabe 30 anos e eu reinei depois do meu pai, fiz este lugar alto para Quemós, Qarhoh, porque ele me salvou de todos os reis e me fez triunfar de todos os meus adversários. No que toca a Omri, Rei de Israel [Setentrional], este humilhou Moabe durante muito tempo, porque Quemós estava irritado com sua terra. E o seu filho seguiu-o e disse também: Hei-de humilhar Moabe. No meu tempo ele o disse, mas eu triunfei sobre ele e a sua casa, enquanto Israel tinha perecido para sempre! Omri tinha ocupado a terra de Mádaba e Israel tinha habitado lá no seu tempo e durante metade do tempo do seu filho [Acabe, filho de Omri], por 40 anos; mas Quemós habitou ali, no meu tempo.
E construí Baal-Meon, fazendo nela um reservatório [ou cisterna]; construí também Qaryaten. Os homens de Gade tinham sempre habitado a terra de Atarot e o rei de Israel tinha construído Atarot para eles, mas eu combati contra a cidade e tomei-a e matei todos os habitantes da cidade para satisfação de Quemós e Moabe. E trouxe dali Arel, seu cabecilha, arrastando-o para diante de Quemós em Qeriot e estabeleci homens de Sharon e de Maharit. E Quemós disse-me: Vai e toma [o Monte] Nebo a Israel. Assim, eu fui de noite e combati contra ela, desde do raiar aurora até meio-dia, tomando-a e matando todos, 7 mil homens, mulheres, rapazes, raparigas e servas, por que tinham sido devotados anátema [ou destruição] para Ashtar-Quemós. E dali os tirei de YAUH, arrastando até diante de Quemós. E o rei de Israel tinha construído Yahaz e residia ali, enquanto lutava contra mim, mas Quemós tirou-o de diante de mim. E tomei de Moabe duzentos homens de guerra, todos de primeira classe, e coloquei-os contra Yahaz e tomei-a para anexar Díbon.
Fui eu que construí Qarhoh, o muro das florestas e muro da cidadela; também construí as suas portas e construí as suas torres e construí a casa do Rei e fiz os seus reservatórios para água, dentro da cidade. E não havia cisterna dentro da cidade de Qarhoh, por isso disse ao povo: Que cada um de vós faça uma cisterna para si mesmo, na sua casa. E eu cortei vigas para Qarhoh com prisioneiros israelitas. Construí Aroer e fiz a estrada no Vale de Aroer; construí Bet-Bamot, pois tinha sido destruída; construí Becer, pois estava em ruínas, com 50 homens de Dibon, pois todo o território de Díbon era minha leal dependência.
E reinei em paz sobre as 100 cidades que tinha acrescentado ao país. E eu construí […], Medeba, Bet-Diblaten e Bet-Baal-Meon, e estabeleci ali o […] país. E quando Hauronen, ali moraram […] Quemós disse-me: Vai lá baixo e combate contra Hauronen. E eu desci e combati contra a cidade e tomei-a e Quemós habitou lá no meu tempo…”